quinta-feira, 23 de junho de 2022
Diferenças entre a Antiga e a Nova Aliança:
Por John Owen (O texto deste eBook foi retirado do livro Teologia Pactual: De Adão a Cristo, por Nehemiah Coxe e John Owen Parte 2, Capítulo 1).
Segundo as Escrituras, as diferenças entre a Antiga e a Nova Aliança são em parte circunstanciais e em parte substanciais e podem ser resumidas nos seguintes pontos: 1. Essas duas alianças diferem em circunstâncias de tempo quanto à sua promulgação, declaração e estabelecimento. Essa diferença que é citada pelo apóstolo a partir do profeta Jeremias em Hebreus 8:9 será tratada mais detalhadamente adiante.
Heb 8:9 não segundo a aliança que fiz com seus pais, no dia em que os tomei pela mão, para os conduzir até fora da terra do Egito; pois eles não continuaram na minha aliança, e eu não atentei para eles, diz o Senhor.
Em resumo, a primeira aliança foi feita no tempo em que Deus tirou os filhos de Israel do Egito, e no terceiro mês após chegarem ao pé do Sinai (Êxodo 19, 24). Desde o tempo do que é registrado na última passagem, no qual o povo dá seu consentimento real aos termos dela, começou sua obrigação formal como uma aliança. Depois iremos inquirir quando ela foi revogada e deixou de ser obrigatória para a igreja. Já a Nova Aliança foi declarada e se tornou conhecida “nos últimos dias” (Hebreus 1:1-2),
Heb 1:1 Havendo Deus, outrora, falado, muitas vezes e de muitas maneiras, aos pais, pelos profetas,
Heb 1:2 nestes últimos dias, nos falou pelo Filho, a quem constituiu herdeiro de todas as coisas, pelo qual também fez o universo.
“na dispensação da plenitude dos tempos” (Efésios 1:10). A data de seu início, como uma aliança.
Eph 1:10 de fazer convergir nele, na dispensação da plenitude dos tempos, todas as coisas, tanto as do céu, como as da terra;
Formalmente obrigatória para toda a igreja, se dá por ocasião da morte, ressurreição, ascensão de Cristo e o envio do Espírito Santo. Eu cito todos esses eventos como o início da Nova Aliança porque embora principalmente ela tenha sido estabelecida pela morte de Cristo, contudo ela não era absolutamente obrigatória como uma aliança até depois da vinda do Espírito Santo.
2. Elas diferem na circunstância do lugar quanto à sua promulgação; o que também é registrado pelas Escrituras. A primeira foi declarada no monte Sinai; na primeira parte dessa exposição eu já declarei amplamente a forma e o tempo em que as pessoas receberam a lei, e agora eu direciono o leitor para aquele lugar1 (Êxodo 19:18).
Exo 19:18 Todo o monte Sinai fumegava, porque o SENHOR descera sobre ele em fogo; a sua fumaça subiu como fumaça de uma fornalha, e todo o monte tremia grandemente.
A Nova Aliança foi declarada no Monte Sião, e a lei dela saiu de Jerusalém (Isaías 2:3).
1Sa 2:3 Não multipliqueis palavras de orgulho, nem saiam coisas arrogantes da vossa boca; porque o SENHOR é o Deus da sabedoria e pesa todos os feitos na balança.
Nosso apóstolo insiste nessa diferença e dá vários exemplos notáveis dela em Gálatas 4:24-26:
Gal 4:22 Pois está escrito que Abraão teve dois filhos, um da mulher escrava e outro da livre.
Gal 4:23 Mas o da escrava nasceu segundo a carne; o da livre, mediante a promessa.
Gal 4:24 Estas coisas são alegóricas; porque estas mulheres são duas alianças; uma, na verdade, se refere ao monte Sinai, que gera para escravidão; esta é Agar.
Gal 4:25 Ora, Agar é o monte Sinai, na Arábia, e corresponde à Jerusalém atual, que está em escravidão com seus filhos.
Gal 4:26 Mas a Jerusalém lá de cima é livre, a qual é nossa mãe;
“Ora, esta Agar é Sinai, um monte da Arábia, que corresponde à Jerusalém que agora existe, pois é escrava com seus filhos”. Agar, era a escrava que Abraão tomou antes que o herdeiro da promessa houvesse nascido, sendo que ela era um tipo da Antiga Aliança dada no Sinai, antes da introdução na Nova Aliança ou Aliança da Promessa; por isso, ele acrescenta: “Ora, esta Agar é Sinai, um monte da Arábia, que corresponde à Jerusalém que agora existe, pois é escrava com seus filhos”. Esse Monte Sinai, onde a Antiga Aliança foi dada, e que foi representada por Agar, está na Arábia, lançado fora das fronteiras e limites da igreja. E “corresponde” ou “é colocado na mesma série, posição e ordem que Jerusalém”, ou seja, nesse contraste entre as duas alianças. Assim como a Nova Aliança, a Aliança da Promessa, a qual concede liberação e liberdade, foi dada em Jerusalém, através da morte e ressurreição de Cristo, e da pregação do Evangelho que se seguiu em razão disso; assim também, a Antiga Aliança, que levou o povo à escravidão, foi dada no Monte Sinai, na Arábia. 3. Elas diferem na maneira de sua promulgação e estabelecimento. Duas coisas notáveis acompanharam a declaração solene da primeira aliança: (1.) O pavor e terror da aparência externa no Monte Sinai, que se apoderou de todo o povo, e até mesmo o próprio Moisés, que temeu e tremeu.
(Hebreus 12:18-21;
Heb 12:18 Ora, não tendes chegado ao fogo palpável e ardente, e à escuridão, e às trevas, e à tempestade,
Heb 12:19 e ao clangor da trombeta, e ao som de palavras tais, que quantos o ouviram suplicaram que não se lhes falasse mais,
Heb 12:20 pois já não suportavam o que lhes era ordenado: Até um animal, se tocar o monte, será apedrejado.
Heb 12:21 Na verdade, de tal modo era horrível o espetáculo, que Moisés disse: Sinto-me aterrado e trêmulo!
Êxodo 19:16,
Exo 19:16 Ao amanhecer do terceiro dia, houve trovões, e relâmpagos, e uma espessa nuvem sobre o monte, e mui forte clangor de trombeta, de maneira que todo o povo que estava no arraial se estremeceu.
Êxodo 20:18-19).
Exo 20:18 Todo o povo presenciou os trovões, e os relâmpagos, e o clangor da trombeta, e o monte fumegante; e o povo, observando, se estremeceu e ficou de longe.
Exo 20:19 Disseram a Moisés: Fala-nos tu, e te ouviremos; porém não fale Deus conosco, para que não morramos.
Por meio disso, um espírito de medo e escravidão foi incutido em todas as pessoas, de modo que elas escolheram manter distância e não se aproximarem de Deus (Deuteronômio 5:23-27).
Deu 5:23 Sucedeu que, ouvindo a voz do meio das trevas, enquanto ardia o monte em fogo, vos achegastes a mim, todos os cabeças das vossas tribos e vossos anciãos,
Deu 5:24 e dissestes: Eis aqui o SENHOR, nosso Deus, nos fez ver a sua glória e a sua grandeza, e ouvimos a sua voz do meio do fogo; hoje, vimos que Deus fala com o homem, e este permanece vivo.
Deu 5:25 Agora, pois, por que morreríamos? Pois este grande fogo nos consumiria; se ainda mais ouvíssemos a voz do SENHOR, nosso Deus, morreríamos.
Deu 5:26 Porque quem há, de toda carne, que tenha ouvido a voz do Deus vivo falar do meio do fogo, como nós ouvimos, e permanecido vivo?
Deu 5:27 Chega-te, e ouve tudo o que disser o SENHOR, nosso Deus; e tu nos dirás tudo o que te disser o SENHOR, nosso Deus, e o ouviremos, e o cumpriremos.
(2.) Ela foi dada pelo ministério e “ordenação dos anjos” (Atos 7:53;
Act 7:53 vós que recebestes a lei por ministério de anjos e não a guardastes.
Gálatas 3:19).
Gal 3:19 Qual, pois, a razão de ser da lei? Foi adicionada por causa das transgressões, até que viesse o descendente a quem se fez a promessa, e foi promulgada por meio de anjos, pela mão de um mediador.
Portanto, as pessoas estavam, em certo sentido, “submetidas aos anjos”, os quais possuíam um ministério de autoridade nessa aliança. A igreja daquele tempo, foi colocada em algum tipo de sujeição aos anjos, como o apóstolo claramente sugere em Hebreus 2:5.
Heb 2:5 Pois não foi a anjos que sujeitou o mundo que há de vir, sobre o qual estamos falando;
Foi muito por causa disso que o culto ou adoração de anjos começou a ser praticado entre esse povo (Colossenses 2:18);
Col 2:18 Ninguém se faça árbitro contra vós outros, pretextando humildade e culto dos anjos, baseando-se em visões, enfatuado, sem motivo algum, na sua mente carnal,
o mesmo culto aos anjos, com um acréscimo à sua loucura e superstição, foi introduzido por alguns na igreja cristã, na qual os anjos não possuem tal ministério de autoridade como o faziam sob a Antiga Aliança.
PAZ E GRAÇA!
AMÉM!
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